terça-feira, 30 de março de 2010

Muriçocas

O que me faz sofrer são coisas tão insofríveis que tenho vergonha de sofrer por mais de cinco minutos. Sofro o insofrível antecipadamente ou não. Não é aquele sofrimento cristão, um digno de se sentir talvez. É um meio "judascariotisiano" que trai a mim mesmo com um beijo. Sofrer o insofrível é ridículo demais para sequer citar. Não vou perder meu tempo, não vou contá-los antes de dormir, apesar de ter meu tempo roubado por esses sofrimentozinhos-muriçoca de a partir das seis horas da noite. Se elas vem, é porque janelas estiveram abertas. Sim, estão todas escancaradas. E a força para fechá-las? Ouço: “Esqueça as janelas”. “Esqueça as muriçocas, são pequenas demais”. Sim, são pequenas demais, eu sei , mas como incomodam as malditas! Sinto essas pequenas picadelas que torturam e resultam numa obra de arte: as marcas em minha pele. Definitivamente não sou fã de arte.
Amanhã levantarei mais cedo. Assim terei mais tempo antes das 18hs, porque depois, tudo é zummm.

Olhos despoetizados

Nos olhos despoetizados nada canta
Ou vela à noite- dia
Nos olhos despoetizados: o avesso
São cabelos que caem
E uma boca cega de nascença
E uma vontade de atirar a mancha-crença
Ou um dia todo a olhar o sol
Nos olhos despoetizados: maré
Seca de mangue, sangue
Que junta a si o lodo de déspotas
Poeira de estrada virada
Avessos
Avessso
Vida despolitizada
Canções desmetrificadas
Sol

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Passo Poeira Pop Up

É um sentimento pop up. Assim thum. E você sente tudo. Parece um viral. E você vil, inerte, vrum, esquece o que há ao seu redor. Desconhece seu próprio nome, sua idade, sua nacionalidade. Vem assim com a certeza de que tudo vai se transformar num absoluto absurdo. Do nada. Do tudo. Não tem nome. Não precisa. O motivo? Quem quer saber? Pra que saber? É sim o que te arrebata. É convicção. Sim. Sim. Não. Não. Vai se acabar. E quando o horizonte que ele abre se apontar na sua testa, não vai restar mais nada. A poeira do dia vai virar espaço cósmico. E quem vai sentir falta? Do nada, o tudo. E depois que passa, sentir a mesma nostalgia do cotidiano, mas sabendo sempre que um dia de repente sentirei o mesmo caos aliviador de um pop up invisível.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Elas

A surda- muda
A artesã
A vaga abunda
A freira terçã
A mãe solteira
A vó que tudo sabia sabidinha
A menina sabiá
A branca preta pretinha
Caminha por minhas pernas largas
Escalam as minhas vivas veias
Mergulham em minhas tranças loucas
Fazem sarau em meu dia
O dia todo dançam:
Poesia

Amostras Grátis

O sim conserva o perfume das estrelas
O não, das bocas de lobos abertas, escancaradas
O talvez exala o erotismo das esperas
O agora e o nunca, um só pó aromático,
Convidativo se bem conservado

De tudo que tenho e posso
Não abro mão disso: das pequenas amostras de mim.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Vida

Desde que abri os olhos o tempo me escapa
Desde que abri os olhos o mundo, relógio
Escassa
Ex
Como caixinhas de música, pandora

Desde que o mundo me sobreveio,
Não sobrevôo

Sigo tomando conta de um cão raivoso que não tem nome
Só ameaça

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Setembro
















Tudo é noite em setembro

Um vasto tempo de alegrias pulsantes

Em brisa fria e quente

Como o distante e o perto ao mesmo instante


É fácil viver em tempos- primavera

Como se fosse a vinda de um parente distante

Abraço quente em dia frio

E a cada dia inquieto escuro,

Clarões seduzem vazios


Esses sorrisos- drops

Esses remendos de xita

Colorem minha pele lua

Num passar de dias simples, doce.


Recolorindo o tempo perdido

Envergando- me a suaves ventos

Anoitecendo

Setembriando